Um dia ela colocou seu melhor vestido e saiu por ai.
Cruzando as ruas gargalhando a cada esquina.
Parou e acendeu seu último cigarro.
Como o último não é o bastante, parou um rapaz e lhe fez um pedido.
"Acende pra mim?"
O rapaz achou estranho, pois ela parecia ter só 16 anos.
Acendeu.
E antes que a volta da sua saia terminasse de girar, ele lhe ofereceu outro cigarro.
Ela apenas sorriu e agradeceu com um movimento de cabeça.
Aceitou.
Logo percebeu o poder de suas vontades.
Andando e cantarolando, passou na porta de um bar.
Homens e mulheres bebiam e riam, enquanto ela apenas deslizava pela calçada.
Todos os olhares eram dela.
Todos os sussurros eram pra ela.
Todos os copos se levantaram para saudar o seu caminhar.
Com um inclinar de corpo, olhou para trás e gargalhou.
Nos seus olhos havia um brilho.
Dos seus cabelos saia um perfume.
No seu vestido negro, o movimento era constante.
Sua presença deixava as mentes confusas e os corpos ardendo de desejo.
Eram gemidos que ecoavam.
Luxúria.
Era ela que pairava no ar, sobre as mesas, nas mãos e em todo o resto...
Nada estava livre desse vermelho.
Inveja.
Mulheres olhavam atravessado, não apreciavam sua presença.
Repugnavam essa energia que emanava de todo o corpo dessa pequena.
Riam de sua maquiagem borrada, de seu cabelo um pouco fora do padrão.
Das marcas que a vida havia deixado de lembrança.
E a menina continuava caminhando...
Fumando...
Bebendo...
Gargalhando...
Roubando...
Conquistando...
Girando...
E mais a frente ela parava.
Olhava pra trás, segurava a saia do seu vestido;
Deixava os joelhos baterem no chão...
Laroiê!
Era o que se ouvia.
*
O quanto dela há em nós??
rs...
Ina












