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domingo, 31 de outubro de 2010

Pra mim e pra uma amiga

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'"
Caio Fernando Abreu

Sempre a primeira é pior

PRIMEIRA VEZ QUE SINTO MUITO E NADA CONSEGUE SAIR DAQUI.
PARECE QUE A PORTA QUE ESTAVA ESCANCARADA, FOI TRANCADA E A CHAVE JOGADA FORA.
Queria saber o porque disso agora. Queria abraçar as pessoas que não podem me dar abraços.
Queria a conversa com quem não está aqui, queria esse conselho, como se só isso fosse fazer passar.
Queria andar e chegar num lugar que fizesse isso passar.
E nem to falando da sua casa e das suas coisas.
Estou falando de um lugar longe!
Queria apagar você, sem raiva, mas queria uma borracha.
Queria ter certeza que não era amor.
Queria poder dizer que encantar é menor que amar.
Mas já não sei...
Queria aquelas sensações, mas não com você.
Queria não ir e vir nas lembranças pra poder te encontrar.
Queria apostar (ganhando) que realmente não acabou.
Queria ter sido mais esperta pra perceber que todo mundo via uma alegria em mim que eu não tinha percebido.
E que de um tempo pra cá, é tristeza que elas encontram e eu nem tinha notado.
É uma preocupação boba com um encontro impossível.
É notar que até você percebeu que tinha algo "errado" e que pra mim era invisível.
É reconhecer que tive um ataque mal direcionado, que aquela "raiva" não era de você e sim de uma ex amiga vadia!
Queria voltar atrás.
Talvez não pra te apagar completamente, mas pra poder curtir de longe toda essa "coisa".
Queria ter enxergado antes e depois.
Queria não ter falado com você.
Queria não sentir vontade de te procurar.
Na verdade queria sumir, dar um tempo em outras terras.
Respirando outra coisa, tomando outra coisa...
To sufocando.
O pior é que não sei se isso passa logo.
Preciso de alguém!
Que seja ou não você, mas que me dê alguma coisa em retribuição...
Esse vazio ta doendo mais do que das outras vezes...
Ina

...

Fui percebendo os sintomas tarde demais.
Novamente, o tempo provando que resolveu andar errado em relação a tudo isso.
Talvez eu tenha me enganado.
Ou talvez eu tenha apenas diminuindo o que realmente era toda aquele "encantamento".
Encantar dói. Desencantar mais ainda.
Desencantar é lamentar o roubo de musicas e agora perceber que não há mais sons escutáveis.
É andar pela rua correndo, para a cabeça não criar. Para a cabeça não ter tempo de lembrar.
É dançar no picadeiro esperando que as luzes se apaguem a qualquer momento e que só exista um na plateia.
É ver que o tempo não foi suficiente.
Que as vontades não foram todas saciadas.
Que a sede ainda não terminou e que dento do copo ainda tem muita coisa,
só que esse copo, essa água, já estão longe demais.
É estender a mão e não chegar a lugar nenhum.
Agora estou vendo , ou melhor, estou sentindo que dói. E dói uma dor estranha.
Como um vírus que ficou encubado durante anos,
e agora apresenta todos os piores sintomas de uma só vez.
Tá tudo uma doença só. Uma bagunça que não acaba.
Um sentir dolorido e que não tem mais cor.
O bem que fazia, já não faz mais. A dose de desapego não é suficiente.
Parece que não tem mais remédio.
Não consigo criar uma raiva.
Não consigo arrancar isso daqui, como muitas vezes era fácil fazer.
Juro que não sei porque isso acontece...
Tá tudo tão la dentro que nem lágrimas saem. Como se não houvesse um jeito de desintoxicar.
Como se não tivesse acabado.
Não quero essa dor necessaria.
Nem quero os encontros que não se como vão ser.
Não quero procurar.
Talvez eu queira...
Estar no lugar certo com um vestido bonito.
Para o bem ou para o mal
Preciso que isso acabe.
E que acabe agora, no meu tempo e que não seja enganação.
Que seja ponto final.
De encontros e músicas que quero conseguir não ouvir mais.
De caminhos que quero fazer sem procurar por você.
Acho que quero uma reabilitação, pra que tudo volte ao que era antes disso,
O original de novo.
O pré
O sem
O fim.
...
Ina

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Concluir...

Para concluir...
Sentada aqui agora, comecei a ler os antigos posts do blog.
Quanta coisa já aconteceu e eu continuo por aqui.
Trocando o fundo. Mudando a cor. Trocando de roupa. Talvez de cabelo.
Mas melhor que tudo isso. Mudando aqui dentro.
Já escrevi porque eu estava muito feliz.
Porque estava morrendo de tristeza e achando que meu coração não existia mais.
Depois percebi que a regeneração é lenta (muitas vezes), mas posso afirmar que ela nunca falha.
Quando acordei um dia em Santa e percebi que era o último dia de 4 meses e que talvez aquilo não tivesse volta, coloquei um fone no ouvido, deixei a rádio tocar e de noite passei por aqui,
para deixar registrado que eu não tinha forças pra aguentar...
Olá! Aqui estou eu.
Antes disso, escrevi e ilustrei minha paixão pela dança, pelo maracatu e não sabia viver sem isso. Hoje aqui estou... Vivendo!
Tantos textos tenho vontade de ficar lendo, lendo, lendo...
Até ficar com ele gravado aqui dentro.
Mas as vezes o momento nem foi tão especial assim.
Na verdade, comecei a perceber que a gente se abate o quanto se permite.
E é feliz, numa mesma proporção.
Quando leio um certo texto posso ver toda a minha sinceridade estampada.
Feito desenho feito a mão. Aquilo ali era eu. Era o aqui dentro posto pra fora.
E isso saiu assim sem doer. Natural. Na minha hora. No meu tempo.
Me chateia um pouco ter divulgado e enaltecido essas palavras.
Afinal, muitas vezes quem lê não está preparado.
Mas, no fundo não importa o quanto as pessoas estão preparadas para me receber. Acho que amadureci o suficiente pra perceber que o que importa é o aqui, nem sempre o lá fora.
Até porque se o mundo estava preparado para mim,
eu não sei o quão preparada eu estava para ele.
Infelizmente, toda vez que eu parar no "Hum..." vou lembrar o quanto foi bom e/ou ruim.
Na verdade não sei o que fala mais alto, mas acredito que tudo tenha servido pra que eu deixasse sair de mim, toda uma verdade, que talvez a pessoa mais importante da minha vida não tenha conhecido.
Só pra saber o quanto posso sentir e continuar sentindo, mesmo quando a surpresa não é boa.
E continuar se entregando mesmo quando não há mais nada a entregar...
Válido? Errado? Terminado?? Não sei.
Mas hoje percebo o verdadeiro valor da sinceridade e da conversa.
Das palavras que voam por ai, feito folhas mortas e das outras que passam feito perfume de rosas...
O mal é que no calor do momento tudo pode se misturar, e a folha seca cheirar bem e o perfume não agradar...
Saber, saber, ninguém nunca sabe, aonde a estrada vai dar, quem vamos encontrar e o quanto esses encontros serão capazes de nos transformar pra sempre.
E a estrada continua. E tudo passa....
Inajah!

sempre as plantas...

Errada? Porque?
Nos últimos dias, ficou calada. Depois de muita música, o silêncio.
Saiu e andou. Encontrou e sorriu.
Por dentro tudo parecia muito estranho. Pesado.
Com o passar dos dias, percebeu que só pesava mais...
Não doía, mas era ruim de aguentar.
Quando deitava todo o peso parecia ir direto pra cabeça...
Lá dentro, o peso vazia uma bola de pensamentos rolarem com força...
Ai doía. O sono corria e os olhos não conseguiam ficar fechados.
Um dia quando acordou, depois de poucas horas de sonhos loucos;
Sentiu que o peso criava uma raiz e que corria o risco de não sair mais.
Sentou-se e perguntou olhando pra baixo: O que será?
Levou as mãos ao rosto e pensou bem....
Cada vez que pensava num nome sentia uma forcinha lá dentro.
Nesse momento pensou se valia mesmo a pena.
O que antes eram borboletas (para quem gosta delas), ou pássaros...
Agora era como um Jequitibá, pesado... forte...
Parecia que já estava formado quando chegou por lá.
Levantou e saiu. Tentou escrever, não conseguiu.
Passou uma tarde inteira pensando...
Dependendo da árvore, da raiz e da flor, não há benefícios.
Algumas a vontade é de esconder, outras de não sentir o cheiro...
Certas arrasam a terra e a tornam impropria para qualquer outro plantio.
Terra seca. Vida seca. Deserto.
Repensou...
Não conseguiu esquecer que outras servem de preparo pra uma planta bem melhor.
Enfim, definiu que a raiz estava lá, mas que não cresceria mais.
Afinal de contas, sabia que coração é terra de ninguém...
Mas não terra pra qualquer um.
Ina